Ele trouxe a criação consigo,
como quem acende luzes sem dar por isso.
E ao vê-lo criar,
eu sabia que também existia criação em mim.
Havia eco.
As palavras iam e voltavam.
Nada ficava perdido.
Agora o silêncio é maior.
Falo, escrevo, invento —
mas falta-me aquele regresso,
aquele sinal simples de: "eu vejo-te".
Não é desespero.
É falta.
Às vezes apetece-me chamar,
não por carência,
mas porque partilhar criação
é uma forma bonita de amizade.
Se envio sinais,
não é para prender ninguém,
é só para dizer:
continuo aqui,
a fazer o que sempre fiz,
mesmo sem a tua resposta.
E se não houver eco,
aprendo mais devagar
a ser abrigo para a minha própria voz.
Mas confesso,
era mais fácil quando alguém a escutava comigo.