Sincronocidades

Ensaio sobre a morte

Num tasco qualquer, sem norte,

Emersa numa nuvem de fumo,

Ouvi dizer que a vida e a morte

mantêm um pacto antigo, terno e mudo.



Aprendi com os cães, no seu cansaço,

afastam-se para lugares recônditos,

procuram o silêncio e o seu espaço.


Em refúgios do mundo, bem escondidos.

Vão para sítios quietos, recatados,

Esperar a sua morte, sem medo ou agonia.

Lá descansam os corpos esgotados,

e tranquilamente adormecem uns dias depois.

E enquanto o fumo baila e se desfaz,

sinto o destino em cada haste que arde:

Um dia serei sombra, serei paz,

Também serei fumo, ao cair da tarde.

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